quinta-feira, 19 de março de 2009

2h37


Na capa deste 2h37 podemos observar a seguinte frase: “O melhor filme que aborda a vida de adolescentes. Chocante!”. Bom, para meio entendedor, meia palavra basta. Quem lê esta frase fica se corroendo de vontade de assistir ao filme por achar que vai encontrar algo diferente. Em 2003, Gus Van Sant trouxe a tona a sua obra-prima, Elefante, que recriava a tragédia da Columbine High School – o fatídico dia onde diversos alunos foram assassinados por próprios colegas nos EUA – e mostrava, entrelinhas, o subconsciente dos protagonistas de tal atentado. Gus esmiúça a vida dos dois garotos sem o intuito de tentar arrumar uma desculpa, ou seja, sem a pretensão de responder “por que eles fizeram aquilo?”. Além disso, ele acompanha todo o dia em que se deu o incidente e aproveita para apresentar vários adolescentes com suas angústias e medos. Este sim é o melhor filme que retrata esta fase da vida. 2h37?! Não passa de uma cópia de Elefante com um ou dois pontos do roteiro que diferem da fita de 2003.

O filme, escrito e dirigido por Murali K. Thalluri, começa e termina no mesmo dia. Mostra diversos personagens adolescentes que têm alguns problemas de ordem emocional e, para fazer isso, Murali optou por montar depoimentos dos próprios personagens que são passados ao longo da reprodução (tentou dar um ar documental como há no filme de Gus). Tudo parece girar em torno de Melody (Teresa Palmer) e seu irmão Marcus (Frank Sweet): aparentemente estão meio brigados e o motivo da briga vai ser explicitado no fim do filme e chega a ser chocante de tão forçado. Também temos um jovem que não assume quem realmente é, uma menina que sofre de distúrbios alimentares, um garoto que é o tempo todo reprovado pelos pais e outro que sofre de problemas fisiológicos e, por isso, é motivo de piada. Temos, no entanto, uma sétima pessoa, Kelly, que será o ponto crucial do desfecho. Pelo o que se pode perceber, Murali dedicou o filme a esta sua amiga, Kelly, e desta forma esperamos que o filme mostrasse tudo sobre a garota. Não sei como, ela é a personagem que menos aparece e, no entanto, é por sua culpa que o filme tem esse nome e foi por sua causa que fiquei em choque com o final da fita.

O que não é cópia de Elefante?! Os depoimentos dos jovens e o desfecho. Na realidade, ainda não digeri direito o porquê que ele ocorreu, nem tampouco o porquê de inserir algo tão brutal acerca de Melody e Marcus. A direção, apesar de ser muito competente no que tange o elenco, copia sem dó o que Van Sant fez em seu filme. Por exemplo: por meio de travellings mostra a ação de algum personagem; minutos depois, mostra a mesma cena, mas do ponto de vista de outra pessoa. Os bruscos cortes de planos também são parecidíssimos com os que vimos em Elefante. O que salva este 2h37 – e me perdoe quem gostou do filme, mas está bem claro que não foi o meu caso – é o elenco. A atuação de Teresa Palmer é magnífica, principalmente nos momentos finais. Frank Sweet, Joel Mackenzie (o menino que é reprovado pelos pais) e Charles Baird (o garoto com problemas fisiológicos) também não estão menos que brilhantes. Uma pena ver um elenco tão inspirado num filme tão sem personalidade que tenta inserir artifícios textuais para amenizar a falta de atitude.


Nota: 4,5

2h37; AUSTRÁLIA, 2006; DRAMA; de Murali K. Thalluri; Com: Teresa Palmer, Frank Sweet, Joel Mackenzie, Charles Baird, Sam Harris, Marni Spillane, Clementine Mellor, Sarah Hudson, Gary Sweet, Amy Schapel.

15 comentários:

Mayara Bastos disse...

Olá, Kau! Tudo bem?

Ainda não vi este "2h37", mas já ouvi falar dele. Mas digo outra vez: Preciso rever "Elefante", rsrsrsrs. ;)

Beijos! ;)

Museu do Cinema disse...

Nunca ouvi falar nesse! Pareceu interessante!

Red Dust disse...

Também não conhecia o filme. Mas pela tua crónica mais vale passar à frente... :)

Abraço.

Kau Oliveira disse...

Mayara, tudo bem e vc?! Pois é, como conversamos, eu particularmente achei o filme ruim. Mas vai que vc gosta?! :o)
Beijos!

Cassiano, acredito que vc possa gostar do filme.

Red, é muito relativo. Pra mim, é realmente algo descartável. Mas vai que vc adora?! Hahahahahaha. Abs!

pedro disse...

É impressionante como esse filme copia na cara de pau Elefante. Bem fraco.

http://cinema-o-rama.blogspot.com

Kamila disse...

Kau, como você sabe, eu adorei "2h37". Acho um filme impactante e que nos mostra que a imersão em nossos próprios problemas nos deixam cegos para o que acontece ao nosso redor, para as pessoas que estão ao nosso lado. Por isso, algumas das soluções narrativas adotadas pelo diretor e roteiristas.

Hugo disse...

Não conhecia este filme, mas parece cópia de "Elefante", mesmo assim fiquei curioso.

Abraço

Cecilia Barroso disse...

Não conhecia 2h37, mas fiquei curiosa para ver algo que tente imitar Van Sant. No mínimo, é uma atitude inusitada.

Mas você destruiu, hein? "[...]filme tão sem personalidade que tenta inserir artifícios textuais para amenizar a falta de atitude."

THIAGO PAULO disse...

Fala kauê...não resistiu,né?! Eu te falei que era a cópia de Elefante em alguns elementos.
Tipo, adorei os atores também, e só aluguei o filme porque gosto da Tereza Palmer. Quando comecei a ver levei um susto por ser tão parecido com Elefante. Eu não sabia disso quando aluguei!

Bom, sobre o final, eu achei que o telespctador é enganado, porque a aquela garota não é apresentada como personagem principal...fiquei com muita raiva disso.

Tirando, a enganação e terem copiado o formato de Elefante...eu até gostei de algumas coisas.

Abraços....

Alex Gonçalves disse...

Estou muito curioso em ver este "2h37", mas no fim das contas sempre me esqueço de procurar. Vou fazer isso agora! E eu não gosto muito de "Elefante", Kau. Tenho o filme em DVD e gostei da primeira (e única) vez que assisti. Mas o filme está mais para uma experiência por parte da direção de Gus Van Sant do que um retrato crível sobre a adolescência de hoje. Um filme que conta com uma abordagem um tanto parecida e que foi feito um pouco antes e que gosto bastante (fica a sugestão) é "Jogo de Intrigas". O filme é dirigido pelo ator Tim Blake Nelson e trata-se de uma adaptação de uma obra de Shekespeare. Tem um formato "convencional", mas trás respostas sobre diversas questões sobre a adolescência, tem intrigas capturadas em um colégio, é impactante e repleto de desempenhos memoráveis.

BRENNO BEZERRA disse...

TEM UM SELO PRA VC EM MEU BLOG

Kau Oliveira disse...

Pedro, detesto cópias. Nem vou citar um filme de um GRANDE cineasta que tb é uma cópia de outro já existente...

Kami, eu consigo enxergar esse ponto no roteiro, mas mesmo assim acho que eles poderiam ter amenizado mais para tocar nesse assunto. Não gostei do filme, uma pena!

Hugo, uma cópia. Sem dó nem piedade! Abs!

Ciça, geralmente destruo filmes que façam algo que me desagrada MUITO. Hahahahahaha, acontece...

Thiago, exatamente. O final geralmente deve ser direcionado para os protagonistas e a inserção de um desfecho com uma personagem que nem é desenvolvida, me deixou confuso. E o final da dupla de protagonistas (Palmer e Sweet) é MUITO apelativo!!! Abs!

Alex, não vi Jogo de Intrigas. Mas perceba que parece que ele só tem um desenvolvimento parecido com o de Elefante. Já em 2h37 até certos planos são IDÊNTICOS!!!!!!!! Odeio falta de personalidade.

Brenno, eu já recebi o selo e está ali na página inicial do blog! Vou adicionar seu nome aos agradecimentos! Obrigado!

Vulgo Dudu disse...

Justamente por ele lembrar Elefante o filme já tinha me chamado a atenção. Mas sabe quando tem um monte de filmes que você quer ver antes? Então, é esse o caso.

Abs!

- cleber . disse...

Òtimaa imagem nova Kau, adorei !
Não vi esse somente o trailer, e não me despertou interesse!

Abraço!

Kau Oliveira disse...

Dudu, só assisti pq passei por ele na locadora e peguei por impulso. Senão, passaria oonge só de saber que é cópia! Abs!

Cleber, bonitinho o topo né?! E acho que vc vai odiar 2h37... Abs!