sexta-feira, 20 de março de 2009

Especial PTA: Embriagado de Amor


Por diversas vezes fomos “agraciados” com açucaradas histórias de amor no Cinema. Não é de se estranhar que praticamente toda semana temos uma estréia de algum filme deste gênero, já que eles sempre arrecadam muito dinheiro. Mas convenhamos que em 99% dos casos a história é absolutamente a mesma e enfoca somente o romance, a paixão. Isto é, deixa a vida particular e interior dos envolvidos em segundo plano ou, pior, nem a colocam em evidência. Agora, alguns generosos cineastas já mostraram que pode haver originalidade no romance, filmando, por exemplo, o interessante Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, o caramelizado (mas muito bonito) P.S. Eu Te Amo, o direto e espetacular As Pontes de Madison. Lógico que o centro deste nosso Especial não poderia deixar por menos e também deu um jeito de inovar e acabou lançando Embriagado de Amor, um romance que transcende uma simples história de amor e, por esse motivo, torna-se complexo e cheio de simbolismos.

Barry Egan (Adam Sandler) é um sujeito estranho que cresceu aturando sete irmãs mais velhas e, por isso, tem uma espécie de trauma – infância difícil, cheia de abusos por parte das sete. Ele tem um pequeno negócio, mas este aparentemente vai ido de mal a pior. Nos primeiros minutos de filme, o diretor e roteirista Paul Thomas Anderson, lança na tela uma colisão entre dois carros, o que promove o abandono de um piano às portas do escritório de Barry. Este não hesita e leva o instrumento para dentro da fábrica e, minutos depois, conhece Lena (Emily Watson): uma mulher bastante misteriosa que, por ironia do destino, é amiga de uma das irmãs de Barry. Entretanto, ele ainda não sabe quem é e nem sabe como interagir com pessoas. Tentando fugir de tudo, numa noite, ele liga para o disk-sexo e fala com uma das moças a qual, de maneira muito cruel, começa a chantagear o rapaz, a ponto de colocar uma gangue atrás dele. Pronto! A vida de Barry que já era complicada vira de cabeça para baixo e começa a ser uma mistura de sentimentos. O roteiro é inteligentíssimo, uma vez que vai a fundo à vida do personagem de Sandler e exterioriza toda a complexidade acerca dele. Como tanto o piano, Lena e a gangue são “coisas” novas na sua vida, ele chega a ficar perto de afundar na sua própria existência; mas com a ajuda da personagem de Watson, ele se auto-descobrirá e viverá como jamais viveu.

Paul mostra mais um artifício de filmagem que, até então, não tinha utilizado. Percebam, por exemplo, quando Barry está sentado à mesa e, movimentando a câmera horizontalmente para o lado, vemos o resto do jantar do rapaz, denotando a sua completa solidão. É uma maneira de revelar algo sobre o personagem sem utilizar pessoas; somente móveis e objetos. O texto também é muito interessante e é cheio de metáforas e simbolismos. Confesso que não gostei muito da inserção do piano na trama. Achei um tanto quanto forçado, já que pode ser interpretado como a vinda da música para a vida do sujeito, ou seja, a alegria de viver (Pablo Villaça disse isso em seu texto, mas mesmo assim acho bastante estranho). Na resenha sobre Boogie Nights reclamei do trabalho de Paul e Robert Elswit no que diz respeito à fotografia. Bom, neste Embriagado de Amor, os dois fazem algo extraordinário neste quesito. A composição quase caótica de cores – que comumente se misturam com os mosaicos coloridos que denotam o interior bagunçado de Barry – e os ângulos utilizados são no mínimo brilhantes. Talvez o maior motivo que levou os cinéfilos a não gostarem do filme foi sua trilha sonora. Jon Brion visivelmente compõe uma trilha que ninguém imaginava para este tipo de filme. É um extremamente bem bolada e já se mostra uma maneira de denotar a personalidade do protagonista por meio de acordes (o que deu muito certo no último filme de Paul, Sangue Negro).

Alguns dos amigos devem saber que quando eu escuto o nome Adam Sandler, saio correndo (e se possível num carro turbo pra fugir rápido). Nem é birra, só o acho um ator extremamente fraco que não se dá bem nem em comédias. Mas também não sou hipócrita: seu Barry Egan é muito bem construído e depois que terminei de ver o filme fiquei parado pensando “esse é mesmo o sofrível Sandler?”. Philip Seymour Hoffman também dá o ar da sua graça e, em duas ou três cenas, é espetacular, assim como Mary Lynn Rajskub que é genial como a irmã de Barry. Uma pena eu ter achado, entretanto, a personagem de Emily Watson mal desenvolvida. Isso acabou atrapalhando a própria atriz que está um pouco apagada; e vale lembrar que acho Watson uma atriz notável: sua atuação em Ondas do Destino, pra mim, está entre as melhores da história. Na verdade, este mau desenvolvimento pode estar associado ao alto grau de complexidade despejado no filme. Paul já mostrou que sabe trabalhar com isto em todas as suas fitas e mesmo este Punch-Drunk Love contendo sacadas extraordinárias no roteiro, peca somente no volume de alguns itens confusos.




Nota: 8,0


Punch-Drunk Love; EUA, 2002; DRAMA/ROMANCE/COMÉDIA; de Paul Thomas Anderson; Com: Adam Sandler, Emily Watson, Philip Seymour Hoffman, Luis Guzmán, Mary Lynn Rajskub, Lisa Spector.

18 comentários:

Matheus Pannebecker disse...

Acho "Embriagado de Amor" bem estranho... Não gosto muito...

Denis Torres disse...

Até hoje não vi esse. Vale a pena mesmo?

pedro tavares disse...

Confesso. Não assisti esse filme. :(

Sobre Gran Torino, veja sim! Vale mt a pena.

Red Dust disse...

É um filme um pouco diferente na carreira de Sandler e um óptimo exemplo de que ele pode ser mais versátil. Aconselho a todos.

8/10.

Abraço.

Fifeco disse...

Outro do PTA que não vi. Assim não consigo comentar nenhum filme... eh eh

Mas já agora, gostei muito do banner do wizard of oz. Grande filme.

Abraço

Jeniss Walker disse...

pensei q tu daria uma nota melhor a esse q "Boogie Nights"...hehe:)

bem fraquinho o filme. lerdíssimo ao extremo. só conseguir ve-lo em dois tempos.
:(
abraço, Kau

Kau Oliveira disse...

Matt, ele é cheio de metáforas, esse é o problema.

Denis, eu acho que vale muito a pena.

Pedro, é um ótimo filme. E vejo Gran Torino semana que vem!

Red, exatamente. Ele é diferente do que PTA já fez e tem um Sandler inspiradinho. Abs!

Fifeco, epero que tenhas visto There Will be Blood. É o próximo da lista! E eu acho O Mágico de Oz espetacular. Abs!

Jeniss, discordo de você. Achei o filme extremamente frenético. Tanto que não acreditei quando acabou, rsrsrs. Achei rapidíssimo!! Abs!

Vinícius P. disse...

Realmente não chega a ser tão genial quanto os demais trabalhos do Paul Thomas Anderson, mas certamente não decepciona e é outro acerto do diretor.

- cleber . disse...

Atribuo a mesma nota, adorei muito o filme, P.T Anderson, soube perfeitamente controlar as estribeiras de Adam Sandler ! òtimo filme !

Abraço Kau!

Mayara Bastos disse...

Olá, Kau! Tudo bem?

Acho "Embriagadi de Amor" o mais fraco do P.T.A., mas não deixa de ser bom e ainda entrega a melhor atuação da carreira de Adam Sandler. ;)

Beijos e tenha um ótimo domingo! ;)

Kamila disse...

Este é o meu filme menos favorito do PT Anderson. Acho forçado e chato.

Weiner disse...

Sem dúvida é o filme de menor ambição na carreira do ótimo paul Thomas Anderson, mas ainda surpreende com um roteiro bem original e satisfatório, sem falar na sua direção, ágil e dinâmica, a cara do homenageado.
Um abraço, Kau!!!

THIAGO PAULO disse...

Olá Kauê...beleza? Entõa, acredita que não sabia que esse filme é PTA? Pois é, só fiquei sabendo aqui no seu blog, e já achei na locadora, e em breve alugar.

Já tinha visto o dvd antes, mais imagei ser apenas uma comédia romantica, justameneto por ter no elenco Adam Sandler, que, assim como você, não vou com a cara dele.RS

Abraços...
Deixei uns selos pra vc lá no blog

Kau Oliveira disse...

Vinícius, exatamente.

Cleber, como eu disse não suporto o Adam. Mas até fez direitinho. Abs!

Mayara, td bem e vc?! Concordo. É o mais "fraco" de PTA. E tem a melhor atuação de Sandler. Ótimo domingo! Beijos!

Kami, jura?! Mas forçado em que sentido?!

Weiner, se pararmos para pensar os artifícios usados no roteiro e direção são bastante ousados. Mas em termos de grandiosidade, acho que Sangue Negro é o top. Abs!

Thiago, é do PTA sim. Um romance MUITO diferente!! E UAU!!! Quantos selos... eu não mereço tudo, rsrsrsrsrs! Abs!

Vulgo Dudu disse...

Filmaco, o melhor papel do Sandler. Nunca mais ele consegue rendimento igual. Eu vi no cinema, e mais da metade dos espectadores deixaram a sessao logo no comeco, quando ele vai jantar com as irmas.

Abs!

Rafhael Vaz disse...

O filme realmente é um pouco estranho. Mas gostei do filme. Adam Sandler está mto bem, e a história cativa. Considero um filme bacana.

Kau Oliveira disse...

Dudu, eu realmente acho um ótimo filme. Interessante a abordagem que PTA deu ao romance, não?! Abs!

Rafhael, considero o filme bastante difícil em certos momentos. Mas no geral, é muito bom.

Anônimo disse...

Na minha opinião, é o melhor filme de Paul Thomas Anderson. A fotografia e a trilha sonora são belíssimas, o roteiro é excelente e a atuação de Adam Sandler também é muito boa.