terça-feira, 11 de novembro de 2008

Gia - Fama e Destruição


Flashs, passarela, alta-costura, Valentino, Gucci, brilho: este é o fabuloso mundo das mais belas modelos do mundo. Falando assim, tudo parece ser um mar de rosas, mas saibam que este mundo, muitas vezes, é obscuro e ministrado por drogas e libertinagem. O telefilme Gia – Fama e Destruição (EUA, 1998) usa de ousadia para nos mostrar justamente esta rota pela qual caminham algumas modelos. O diretor e roteirista Michael Cristofer quis esmiuçar a vida da primeira grande top model internacional, Gia Carangi, a qual teve fama e fortuna, mas acabou caindo num poço inacabável por envolvimento com drogas, principalmente.

Gia é linda e basta um olhar para apaixonar-se por ela. É uma garota que teve uma infância complicada e, já adulta, tem uma vida regrada a muita libertinagem na Filadélfia. Porém, seus dias de garçonete estavam contados, pois logo ela é descoberta e entra para o mundo da moda, porém isto não fará com que Gia deixe de ser quem realmente é. Wilhelmina Cooper (Faye Dunaway) é a empresária que conseguirá os testes e, não demora muito para Gia tornar-se a top model mais requisitada de Nova York. Tudo isso pelo seu diferencial: ela é ousada, sexy e, de fato, o refresco que faltava numa época dominada por modelos praticamente idênticas. Estou esquecendo algo? Óbvio. Gia Carangi é interpretada de forma extraordinária por Angelina Jolie (a qual trabalhou novamente com Michael no filme
Pecado Original), uma atriz que, a meu ver, é subestimada. Ela tem aqui o papel de sua vida até o momento. Consegue passar toda a perversidade e doçura que fazem parte da modelo. O que fez Gia ser essa espetacular “top girl”, sem dúvida, foi o seu sentimento de “não estar nem aí para nada” e não ter vergonha de se expressar (SPOILER – vide a cena em que ela faz o ensaio nua no estacionamento – FIM DE SPOILER). Mas tudo que ascende, em alguns casos, tende a decair. E a sua destruição começou quando ela resolveu não largar as drogas e, para piorar, progrediu em intensidade e qualidade de uso. Muitos dizem que sua ruína também foi promovida, em partes, pela sua paixão arrebatadora por Linda (Elizabeth Mitchell). Não demorou muito, e Gia foi diagnosticada com Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (até então meio desconhecida naquela época) e utilizou suas últimas palavras para pedir perdão a sua mãe (Mercedes Ruehl em notável atuação).

Michael Cristofer escolheu por utilizar um clima documental, uma vez que há depoimentos de pessoas que conviveram com ela (encenados, claro). O roteiro também é muito interessante, já que foi baseado no diário e amigos de Gia Carangi. Somente achei algumas cenas desnecessárias as quais deixaram a fita um pouco longa demais (para o que propunha). No mais, é tudo muito bem feito e o destaque vai, sem a menor sombra de dúvidas, para Eric Sears, editor do telefilme: a montagem é esplêndida. Mistura cores vibrantes com preto e branco, além de dar um ritmo frenético quando a fita necessitou. Eric, inclusive, ganhou o Emmy de Melhor Edição. Gia – Fama e Destruição foi indicado, na verdade, à várias categorias do Emmy Awards e Golden Globe. Mas a estrela do filme, na melhor atuação de sua carreira, foi reconhecida apenas no primeiro. Um material que retrata o outro lado do mundo da moda e que eu recomendo.


Nota: 8,5


Gia; EUA, 1998; Drama/Telefilme; de Michael Cristofer; Com: Angelina Jolie, Faye Dunaway, Elizabeth Mitchell, Mercedes Ruehl.

17 comentários:

Pedro Henrique disse...

Bem dito, Kau. Que "Garota, Interrompida" nada, o melhor desempenho da Angelina está em Gia!

Abraço!!!

Museu do Cinema disse...

Concordo com vc Kau, o filme é muito ruim, a Angelina no inicio de carreira ainda tinha muito para mostrar, e que corpo era aquele!?!

Kau disse...

Pedrão, acho a insana de Jolie em "Garota, Interrompida" fanstástica. Mas, de fato, sua Gia é inesquecível... Abraços!

Cassiano, não entendi hahahahaha. Você concorda comigo que a interpretação é boa, certo? Mas não concorda quando eu digo que o telefilme é excelente... certo? Angelina é muito linda (e talentosa - coisa de fãzóide :D)

cinefilapornatureza disse...

Kau, eu gosto muito de "Gia - Fama e Destruição". A história de vida da ex-modelo é complicada, difícil, mas foi contada com muita verdade (apesar de concordar com você que o telefilme tem uma qualidade abaixo da média) e o desempenho da Angelina Jolie é sensacional, talvez o melhor da carreira dela.

cinefilapornatureza disse...

Foi mal, Kau! Eu concordo em tudo com você sobre "Gia - Fama e Destruição". O comentário ali saiu errado. O telefilme tem uma qualidade boa!!!! :-)

Violinista do Cinema disse...

nossa Angie esta tudo neste filme, que me deixou ate emocionada...Gia foi uma modelo sem limites, am todos os sentidos, mas intensa, incrivel e muito antentica!
bjooooooo

Kau disse...

Kami, tá todo mundo louco hoje rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs!!! Brincadeira, não tem problema e realmente Gia é um belo telefilme.

Vivis, vc é malvada! Eu tentei achar todos esses adjetivos que vc usou para classificar Gia (intensa, sem limites e autêntica), mas não consegui! Valeu por completar o texto aqui nos comentários, honey! Bjos.

Vinícius P. disse...

Vi esse "Gia" já há muito tempo, mas lembro que fiquei impressionado com a atuação da Angelina Jolie. Um dos melhores telefilmes que já vi.

Ibertson Medeiros disse...

Já tive diversas oportunidades de assistir esse filme no SBT, mas nunca quis. Detesto filme dublado, um dos maiores motivos para não vê-lo, assim como os inevitáveis cortes nas cenas mais pesadas, costumeiros na TV aberta. Bom assistir Jolie em início de carreira e também já tive conhecimento que esse contém sua melhor atuação, assim como em Garota Interrompida. Algum dia vejo.

Johnny Strangelove disse...

Os telefilmes da HBO conseguem ser mais ricos do que se imagina. E no caso de Gia, não é diferente. Consegui ver na época que foi lançado com mainha e ela também adorou tanto o filme como a melhor atuação de Jolie ... até O Preço da Coragem.

Abraços

Kau disse...

Vinícius, é bem isso!

Ibertson, também odeio filmes dublados. E Gia é o tipo de material que deve ser visto legendado e inteiro, sem cortes...

João, exatamente! Inclusive, acho que Jolie tem vários papéis ótimos em sua carreira, além de Gia. O Preço da Coragem, Garota Interrompida, Amor Sem Fronteiras e até no horroroso Cozinha do Inferno. Abraços!!

Romeika disse...

Eu gosto bastante desse telefilme, a Angelina Jolie esta excelente como a Gia, uma personagem que nos conquista. Muito triste o final que teve a sua vida.

Vulgo Dudu disse...

Ih, nunca tinha ouvido falar dessa top model. Me parece que o casting foi certeiro, hein?

Abs!

Otavio Almeida disse...

Filme ruinzinho, hein! Ela está bem, mas GIA é um horror.

Ainda bem que Angelina sobreviveu!

Abs!

Kau disse...

Romeika, a cena final de Gia é espetacular, não? Ela levantando toda linda...

Dudu, foi muito certeiro. Com destaque, óbvio, para Jolie. Abraços!

Otavio, jura? Mas pq vc não curtiu? Eu achei a técnica excelente, assim como o desenvolvimento do roteiro por parte da direção. Abraços!

CiNe ViTa disse...

Não sou muito de ver telefilmes, acabo os achando beeem superficiais. Mas esse Gia me deixou intrigado. E ainda tem Jolie...beleza e talento.

Ciao!

Kau disse...

Wally, eu gosto bastante de telefilmes. Gia é um material que vale a pena! Abraços.