segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Pequena Miss Sunshine


Sou um adorador do cinema independente, e vejo que este tem sido muito valorizado de uns tempos para cá, o que é muito interessante. No meio de um filme policial (Os Infiltrados), de um bélico (Cartas de Iwo Jima), de outro que retrata soberania (A Rainha) e de um drama pesado, porém pretensioso (Babel), está essa deliciosa comédia “largada”, mas de extrema valia.

Obviamente que nenhuma família é normal, mas a família Hoover vai além deste conceito: Olive (Abigail Breslin) é a caçula gordinha e de óculos que sonha em ganhar um concurso de beleza; Richard (Greg Kinnear) é o pai obcecado pelo método de auto-ajuda que criou o qual, diga-se de passagem, é um fracasso; o pai de Richard (Alan Arkin) é viciado em heroína; Dwayne (Paul Dano), o filho mais velho, está na adolescência feroz e fez um voto de silêncio; Sheryl é a mãe (Toni Collette), que sempre tenta ponderar e acalmar essa família incomum; para fechar o clã, há o irmão de Sheryl, Frank (Steve Carell), um homem que acaba de sair de uma clínica por tentar suicídio. Certo dia, Olive é convidada para participar do tão sonhado concurso de beleza, porém eles terão uma longa viagem até lá. Imaginem esta simpática família em "aparente" crise, viajando por vários quilômetros dentro de uma kombi! Esta é a atmosfera de Pequena Miss Sunshine, ou com um título bem mais apropriado, ‘Família à Beira de Um Ataque de Nervos’.

Muitos o classificam como uma comédia que contém certa carga dramática; eu acho o contrário: um belo drama sobre uma família desestruturada que alcança a felicidade; as cenas cômicas servem como um amortecedor, visando uma digestão prazerosa do filme. Percebam, então, que o roteiro tende única e exclusivamente à originalidade e o responsável por ele é Michael Arndt. O escrito é trabalhado minuciosamente em cima de diálogos inteligentes e muito comoventes. Além destes, há várias belíssimas cenas que vão desde a descoberta de que Dwayne é daltônico e, com isso não poderá ser piloto de aviões (aqui, Paul Dano dá um show), até a cena final onde ocorre a apresentação de Olive no concurso. Assim, com um texto desses em mãos, os diretores Jonathan Dayton e Valerie Faris conseguem conduzir a película muito bem e acertam na tarefa de transpô-lo para as telonas. Simplesmente o filme não é provido de uma parte técnica (direção de arte, fotografia, maquiagem...) incrivelmente bem desenvolvida por um simples motivo: ele não necessita. Em verdade, devo destacar a trilha sonora, a qual é perfeita. É o tipo de fita que é feita por um elenco afiado, um roteiro redondinho e uma direção competente.

Vejo Pequena Miss Sunshine como um filme necessário, uma vez que é inevitavelmente uma lição de vida. Com uma apresentação singular dos personagens, ele, sem intenção, faz com que o espectador se identifique com algum deles. Poderia ser recheado de clichês e lições de moral caretas, mas ao invés disso trata-se de um filme extremamente positivo por demonstrar os valores que uma família realmente deve seguir, uma vez que, o importante na vida não é se sujeitar a uma participação em um concurso fútil que pretende transformar jovens garotas em modelos prematuras, mas sim, com o apoio e união de toda uma família, ser o mais original e transparente possível. Um amigo meu se refere aos Hoover como "uma família autodestrutiva", mas calma! Eles são legais!


Nota: 9,0


Little Miss Sunshine; EUA, 2006; DRAMA/COMÉDIA; de Jonathan Dayton e Valerie Faris; Com: Abigail Breslin, Greg Kinnear, Toni Collette, Paul Dano, Alan Arkin, Steve Carell.

22 comentários:

Sérgio Déda disse...

Adoro este longa... é uma comédia totalmente diferente do que estamos acostumados a ver, com personagens tão complexos e conflituosos.

abraço!

Alex Gonçalves disse...

Kau, adoro "Pequena Miss Sunshine" e estive na torcida por este longa no Oscar para melhor filme. Acho um filme extremamente simpático e repleto de personagens que formam uma das famílias mais inesquecíveis do cinema. E, como você bem disse, isto acaba por resultar numa experiência que é uma grande lição de vida. A cena onde a Abigail Breslin começa a dançar no concurso e tem toda a sua família apoiando a sua apresentação é o que melhor representa toda a importância da união, não importanto a situação.

Vinícius P. disse...

Assim como o Alex, também torcia por "Pequena Miss Sunshine" no Oscar. Certamente é um dos filmes mais agradáveis que já vi, apesar de tratar de temas difíceis (o que faz com maestria). Nem comento sobre o elenco que é um dos melhores que já vi no cinema!

Yuri Dias disse...

Apesar de não ter torcido por ele no Oscar, acho que reinventou o conceito de cinema independente, abrindo novamente as portas para esse tipo de filme. É light, original, engraçado, dramático, um filme que deve ser apreciado por todos por seu simpático brilhantismo.

Queria acrescentar que em "Pequena Miss Sunshine", Paul Dano dá uma mostra de seu potencial de ator, que depois seria explicitado em "Sangue Negro"

jeff disse...

Bem, eu não torcia para Miss Sunshine no Oscar - prefiro Iwo Jima -, mas acho um filme bem simpático e divertido, além da grande carga dramática e mensagem que você bem ressaltou em seu texto. A trilha sonora é marcante [lembro da música tema até hoje], mas nada supera a cena do concurso! Uma das poucas vezes que gargalhei no cinema sem conseguir me controlar.

[]s!

Kau disse...

Sergio, o que me chamou atenção no filme foram exatamente os personagens complexos. Abraços!

Alex, não me xingue, mas nem teria indicado o filme ao Oscar. É incoerente, mas da lista "original" da Academia, só teria deixado A Rainha e Iwo Jima (entrariam Pecados Íntimos, Fonte da Vida e Vôo United 93).

Vinícius, como disse, não indicaria o filme. Mas não por falta de nota... pela concorrência mesmo.

Yuri, Paul Dano vai muito bem neste filme. Entretanto, ainda acho seu papel em Sangue Negro superior. Inclusive, seria o meu vencedor no Oscar, se tivesse sido indicado.

Jeff, eu gargalhei bastante também. A trilha é original ao extremo e extremamente doce. Assim como vc, tb prefiro o filme de Clint. Abraços!

Museu do Cinema disse...

sÓ AGORA VIU ESSE KAU!

Matheus Pannebecker disse...

Kau, eu acho esse filme perfeito! Uma comédia simplesmente envolvente. O destaque, sem dúvida, é o elenco e o roteiro. Torcia disparado por ele no Oscar (e na época até achava que ele tinha muitas chances de ganhar), mas torcia também por Abigail Breslin, que mesmo tendo feito papéis óbvios depois da premiação, mostrou-se uma atriz de maior qualidade do que a vencedora Jennifer Hudson.

Hugo disse...

Sem dúvida é um drama delicioso, que mescla com competência os momentos de comédia e um elenco super afiado, inclusive mostrando que Steve Carell é um bom ator e não só um comediante.

Abraço

Nespoli disse...

Só não fico triste de ele não ter ganho o Oscar porque eu realmente adoro Os Infiltrados, mas é um dos poucos filmes que consegue fazer você rir e se emocionar com a mesma intensidade, sensacional...

THIAGO PAULO disse...

Nossa, concordo com tudo que você escreveu, pois, adoro Pequna Miss Sunshine. Os personagens são excelentes, cada um tem o seu papel no filme, e nenhum está lá por acaso. O final, então, é demais, pois, você espera uma coisa maravilhosa...e acaba sendo mesmo!

Há, adorei o novo logo...E acredita que esse dias eu vi Angels in America?! Gostei muito!

Abraços e até mais!!!

Mayara Bastos disse...

Olá, Kau! Tudo bem?

Realmente um ótimo filme, foi uma surpresa as indicações a prémios e achei o maior destaque dele é o elenco competente! Adoro, rsrs!

Fique bem, Beijos! ;)

- cleber ! disse...

Uma obra-prima da comédia dramatica atual, também sou um grande adorador do filme, desde aquela trilha sonora maravilhosa, até aquele conflito sublime na mesa ... uma perola ... ainda sim, acho que não era pra tanto levar melhor filme - e me desculpem mais ambos as estatuetas que o filme levou foram injustas .

Rafael Moreira disse...

Acreditaria se eu dissesse que nunca assisti esse filme? Pois é!

Kau disse...

Cassiano, não!!! Há tempos escrevi sobre este filme, mas demorei MUITO à publicar. Pra vc ter idéia, escrevi quando abrimos o Cinefilando.

Matheus, permita-me discordar de vc. Nem teria indicado a pequena Breslin. Acho que Toni faz muito mais que ela, juro! Quem deveria ter vencido era Cate Blanchett, mas não reclamo do Oscar de Hudson.

Hugo, exatamente. Carell é muito mais que comediante! Abraços.

Nespoli, eu tenho problemas graves com Os Infiltrados. E residem na sua direção e, principalmente, no seu roteiro.

Thiago, eu coloquei o layout de Angels mais por causa da estética e elenco. Pq não o sou o maior fã da minissérie, infelizmente... Abraços!

Mayara, tudo ótimo e vc?
Concordo com tudo o que vc disse! Beijos.

Cleber, não premiaria Arkin. Mas o roteiro, com certeza sim. E não entendo... se o filme é uma obra-prima, como não deve levar Melhor Filme?! Flws.

Rafael, meu amigo! Não sabes o que está perdendo!!!!!

Kaio disse...

Coincidência fdp eu ter alugado o filme hj.:p

Mas Miss Sunshine é um dos melhores filmes dessa decada mesmo.É de uma simplicidade magnifica.Ainda prefiro The Fodarted,mas com certeza é top 5 do ano.

- cleber ! disse...

Simples Kau, esse ano num tinha pra ninguém além de A RAINHA - merecia tudo ...

Kau disse...

Kaio, não sei se entraria no meu top 10 da década. Teria que pensar muito... rs

Cleber, o melhor do ano estava de fora: Fonte da Vida. Mas dentre os indicados pela Academia, A Rainha era imbatível mesmo.

Pedro Henrique disse...

Por mim esse filme nem seria indicado ao Oscar. É legalzinho e bonitinho, mas não mais que isso, na minha opinião.

Abraço!!!

Kau disse...

Pedrão, como eu disse eu também não teria indicado. Mas mesmo assim, acho um filme espetacular! Mas eu entendo você, já que minha mãe compartilha da mesma opinião. Abraços!

Vulgo Dudu disse...

Eu concordo que o filme tem sua carga dramática, pois toca em temas delicados. Mas eu ri tanto no filme que minha barriga chegava a doer! Sério mesmo. Isso porque eu havia almoçado logo antes de entrar na sala. Saí de lá com aquela sensação de que há muito tempo não ria daquele jeito!

Abs!

Kau disse...

Dudu, eu ri também. Entretanto, achei que o teor dramático está mais em evidência. Abraços!