Se pararmos para pensar, o cinema asiático tem o costume de ser, em sua grande maioria, espetacular visualmente. E não importa o gênero, já que os filmes que se encaixam neste grupo vão desde os mais dramáticos (como Casa Vazia), passando pelo terror (O Hospedeiro) e desembocando em violência pura e aplicada (como na Trilogia da Vingança). Mas é inegável que as fitas que mais nos proporcionam cenas visualmente deslumbrantes são as que colocam as artes marciais em evidência. São vários os materiais que seguem esta pauta, mas três em especial merecem destaque: O Tigre e o Dragão, O Clã das Adagas Voadoras e Herói. Todos são incríveis, entretanto este último, na minha concepção, é um dos grandes filmes desta década; algo que não chegou à perfeição por muito pouco.
Herói nos remete à China ancestral, ainda dividida nos Sete Reinados. O soberano de uma das províncias (vivido por Daoming Chen), se vê constantemente ameaçado uma vez que suas idéias são muito ambiciosas e seu desejo era conquistar toda a China. Três assassinos em especial despertavam mais pavor no soberano – os quais eram contratados por seus adversários políticos: Espada Quebrada (Tony Leung), Neve Que Voa (Maggie Cheung) e Lua (Ziyi Zhang). Um dia, porém, chega à presença do soberano um homem (Jet Li) afirmando ter matado os três assassinos de elite e, como prova, portava as suas armas. Para tanto, ele explicou que só conseguiu tal proeza por ficar uma década estudando a técnica da espada. A revelação foi bombástica e as armas não bastaram para convencer o “rei”; logo, o homem sem nome começa a contar como as mortes se sucederam e a história começa a se desenrolar.
O mais interessante acerca do roteiro de Herói (escrito por Li Feng, Zhang Yimou e Wang Bin), é que o desespero do soberano não é a pauta principal. Temos muita traição, sedução, amor, ódio e crença dentro do texto. Os roteiristas fazem questão de dar importância à vida dos três assassinos e escrachar suas divergências com os reinados e com eles próprios. Acontece que, depois de expor como aniquilou os temidos vilões, o homem sem nome será vítima da segunda revelação bombástica do filme, a qual será dada pelo próprio “rei”. Faz com que o final seja um pouco confuso, mas ainda assim ótimo. O elenco é muito bom e o destaque vai para Jet Li que está bastante inspirado. Agora, o trunfo supremo desta fita é, sem dúvidas, a estarrecedora direção de Zhang Yimou. Todos os seus filmes – além do espetáculo nas últimas Olimpíadas – são poesias em forma de imagens. Utilizando muitas cores e ângulos que até Deus duvida, ele faz com que Herói seja uma obra-prima visual (fez o mesmo com O Clã das Adagas Voadoras, A Maldição da Flor Dourada e O Caminho Para Casa). A fotografia é algo brilhante e não tenho mais palavras para resumir o trabalho de Christopher Doyle neste aspecto (só sei que é uma das coisas mais lindas que vi na minha vida). Direção de arte e figurino também são notáveis e o som, em sua totalidade, é outro quesito inexplicável. É o típico caso de uma película que atende aos prazeres dos olhos, ouvidos e mente. Mesmo o desfecho sendo um pouco estrambólico, este exemplar chinês é fábula de amor, honra e dever e nos faz pensar no que consiste, de fato, ser um herói.
Nota: 9,5
Ying Xiong; CHINA, 2002; DRAMA/AVENTURA; de Zhang Yimou; Com: Jet Li, Tony Leung, Daoming Chen, Maggie Cheung, Ziyi Zhang.
Herói nos remete à China ancestral, ainda dividida nos Sete Reinados. O soberano de uma das províncias (vivido por Daoming Chen), se vê constantemente ameaçado uma vez que suas idéias são muito ambiciosas e seu desejo era conquistar toda a China. Três assassinos em especial despertavam mais pavor no soberano – os quais eram contratados por seus adversários políticos: Espada Quebrada (Tony Leung), Neve Que Voa (Maggie Cheung) e Lua (Ziyi Zhang). Um dia, porém, chega à presença do soberano um homem (Jet Li) afirmando ter matado os três assassinos de elite e, como prova, portava as suas armas. Para tanto, ele explicou que só conseguiu tal proeza por ficar uma década estudando a técnica da espada. A revelação foi bombástica e as armas não bastaram para convencer o “rei”; logo, o homem sem nome começa a contar como as mortes se sucederam e a história começa a se desenrolar.
O mais interessante acerca do roteiro de Herói (escrito por Li Feng, Zhang Yimou e Wang Bin), é que o desespero do soberano não é a pauta principal. Temos muita traição, sedução, amor, ódio e crença dentro do texto. Os roteiristas fazem questão de dar importância à vida dos três assassinos e escrachar suas divergências com os reinados e com eles próprios. Acontece que, depois de expor como aniquilou os temidos vilões, o homem sem nome será vítima da segunda revelação bombástica do filme, a qual será dada pelo próprio “rei”. Faz com que o final seja um pouco confuso, mas ainda assim ótimo. O elenco é muito bom e o destaque vai para Jet Li que está bastante inspirado. Agora, o trunfo supremo desta fita é, sem dúvidas, a estarrecedora direção de Zhang Yimou. Todos os seus filmes – além do espetáculo nas últimas Olimpíadas – são poesias em forma de imagens. Utilizando muitas cores e ângulos que até Deus duvida, ele faz com que Herói seja uma obra-prima visual (fez o mesmo com O Clã das Adagas Voadoras, A Maldição da Flor Dourada e O Caminho Para Casa). A fotografia é algo brilhante e não tenho mais palavras para resumir o trabalho de Christopher Doyle neste aspecto (só sei que é uma das coisas mais lindas que vi na minha vida). Direção de arte e figurino também são notáveis e o som, em sua totalidade, é outro quesito inexplicável. É o típico caso de uma película que atende aos prazeres dos olhos, ouvidos e mente. Mesmo o desfecho sendo um pouco estrambólico, este exemplar chinês é fábula de amor, honra e dever e nos faz pensar no que consiste, de fato, ser um herói.
Nota: 9,5
Ying Xiong; CHINA, 2002; DRAMA/AVENTURA; de Zhang Yimou; Com: Jet Li, Tony Leung, Daoming Chen, Maggie Cheung, Ziyi Zhang.